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HISTÓRIA

O início

Poliana Okimoto nasceu para nadar. E nadar muito, em quantidade e qualidade. Desde pequena, a paulistana descendente de orientais fez da sua vida uma longa preparação para o sucesso no esporte. Treinos puxados, competições duras, viagens longas, alimentação adequada, entre outros sacrifícios, moldaram uma carreira vitoriosa.

“Comecei a nadar aos dois anos de idade e aos sete já treinava. Brinco que sempre fui nadadora, porque uma das principais coisas que lembro da minha infância é de estar na piscina”, comenta a medalhista olímpica e campeã mundial de Maratona Aquática.

Primeiras medalhas e destaque nacional

O esforço precoce também rendeu recompensas desde muito jovem para Poliana, que começou a se destacar no cenário nacional nas provas de fundo. “Fui muito precoce: Com 12 anos, quando comecei as provas mais longas, eu já nadava 400m, 800m e 1.500m. Aos 13, conquistei minha primeira medalha no Troféu Maria Lenk. Com 14, eu ganhei a prova dos 800m. Ali eu já sabia com certeza o que queria da minha vida”, relembra.

Os anos seguintes foram marcados por uma constante evolução e domínio das provas de fundo nas piscinas das provas nacionais. Foram mais de 70 títulos brasileiros em piscina e recordes nacionais, dois deles que ainda não foram desbancados (dos 1.500m em piscina curta e longa), até chegar à transição para a Maratona Aquática, onde já conseguiu um excelente vice-campeonato do Campeonato Mundial 5km e 10km em 2006, a primeira medalha em Mundiais de esportes aquáticos na natação feminina.

As conquistas na Maratona Aquática

Desde então, os resultados nos mares, rios e lagos foram tomando uma proporção cada vez maior, sempre na companhia do treinador e marido Ricardo Cintra. Na distância de 5km, Poliana conquistou o bronze do Campeonato Mundial em Roma 2009 e a prata em Barcelona 2013.

Nos 10km, vieram as maiores conquistas da brasileira. Começando pelos Jogos Pan-Americanos, com duas medalhas de prata, no Rio de Janeiro 2007 e em Guadalajara 2011. Em 2009, o título do Circuito Mundial. Em 2013, Poliana viveu um ano mágico: conquistou o ouro no Campeonato Mundial, em Barcelona, foi eleita a melhor nadadora de Maratona Aquática do mundo e ainda foi escolhida como melhor atleta brasileira do ano, no Prêmio Brasil Olímpico.

O sonho olímpico

Mesmo com o título mundial, o sonho de uma medalha olímpica continuava para Poliana. Em Pequim 2008, havia ficado com o sétimo lugar. Em Londres 2012, um dos momentos mais complicados da carreira. Com hipotermia por causa da baixa temperatura das águas do lago Serpentine, Poliana teve de abandonar a prova. O sonho olímpico era adiado naquele momento, mas voltou a ganhar força com as conquistas de 2013.

A preparação toda começou então a se voltar para um dos lugares mais conhecidos para Poliana, a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, local de tantas competições que já havia participado. “Eu estava muito bem preparada para isso. Conhecendo meu corpo, fomos preparando para chegar bem ao Rio. Preparação depende da fase do treino, mas já cheguei a nadar 100km semanais. Foi muito desgastante. Hoje com 33 anos minha recuperação já não é tão rápida, então minha vida se modificou para treinar”, explicou.

Naquele 15 de agosto de 2016, no Rio de Janeiro, chegaria, enfim, a recompensa. Em uma prova muito consistente, Poliana se destacou junto com o pelotão da frente até os momentos decisivos. Ali, depois de 20 anos de muito treino, esforço e dedicação à natação, Poliana conquistava o bronze olímpico “em casa”, nas águas de Copacabana.

“Fiz a melhor prova da minha vida. Estava muito bem preparada para isso e nadei muito consciente e focada no que tinha que fazer. O resultado mostrou muito bem isso. Dei o meu máximo e me doei muito na preparação, e esse foi o resultado. A sensação é de concretizar todo um trabalho, de um sonho, de muita coisa que a gente passa no dia a dia. Em 20 anos de carreira, eu vivi muita coisa, muito intensamente. É um sonho que a gente carrega de criança”, descreveu a atleta.

O resultado foi histórico não só para Poliana, mas para o esporte olímpico brasileiro, já que ela foi a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha na história dos Jogos Olímpicos.

Para os próximos anos, nada se pode duvidar da dupla de sucesso entre Poliana e o marido/técnico Ricardo Cintra, que também alcançou o vice-campeonato mundial três meses depois da medalha olímpica.

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